Em uma rotina cada vez mais complexa e repleta de responsabilidades, o sono deve ser encarado como prioridade para recarregar a energia gasta durante o dia

 

Ana Luiza Verzola

analuizaverzola@gmail.com

 

Existe uma unanimidade de que dormir bem é fundamental, mas isso nem sempre é possível. O reflexo de noites mal dormidas pode ser constatado facilmente no dia seguinte: cansaço, irritabilidade, falta de atenção. Pode não parecer a princípio ou quando ocorrem situações isoladas, mas o sono acumulado ou a vontade excessiva de dormir, podem indicar que a rotina precisa de um freio. É hora de repensar hábitos e, se necessário, buscar ajuda.

 

O fato é que o brasileiro tem dormido cada vez menos. É o que aponta uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto do Sono e da Universidade Federal de São Paulo, que acompanhou os hábitos de pessoas entre os anos de 2007 a 2016. Em 10 anos, os homens dormem aproximadamente 20 minutos a menos que no início da década e as mulheres, 40 minutos a menos.

 

Em outro estudo, dessa vez da Universidade de Michigan, o Brasil aparece entre os três países em que as pessoas menos dormem. Além das características facilmente detectáveis quando se dorme menos, a falta de sono indica que, a longo prazo, você fica mais suscetível a doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e também mais propenso a se estressar com facilidade.

 

No caso da publicitária Luciele Nunes da Rosa, a falta de sono a prejudica principalmente no rendimento do trabalho. “Nos últimos meses foram constantes noites sem dormir uma mísera meia hora. Fico acordada até duas noites seguidas. No trabalho, o que levaria uma hora para realizar uma tarefa, leva praticamente o dia todo”, conta. Quando as mulheres se tornam mães, então, o sono é ainda mais escasso. “Durmo menos depois que tive a Cecília, principalmente. Percebi que na faculdade a aprendizagem caía também”, pontua a atriz Simone de França Almeida.

 

Já no caso do vendedor Marcelo Eduardo Rodrigues, o problema com sono tem relação com a ansiedade. “É um mal que me assola desde criança. No momento, estou passando por uma fase de insônia e durmo de 4 a 5 horas no máximo. Fico com cara de doente o dia todo”, revela.

 

A psicóloga clínica Elisabete Colombo explica que o sono é extremamente importante para a nossa qualidade de vida. “Além de proporcionar um desligamento dos acúmulos de responsabilidades, atividades e tarefas diárias, é um período que nos renova para outro dia. Várias noites mal dormidas seriam equivalentes a noitadas com álcool e outras substâncias nocivas, ou seja, o corpo e o nosso psicológico estariam afetados de modo semelhante”, destaca. O resultado é perceptível logo na manhã seguinte, com a pessoa se sentindo desgastada e esgotada física e mentalmente.  A falta de sono interfere nas funções perceptivas e cognitivas.

 

Alerta para excesso de sono

Se a ausência de sono é preocupante, o excesso também pode indicar um sinal amarelo de que algo não vai bem. “Tanto pode ser uma consequência do desgaste de noites mal dormidas, ou o início de outros problemas. Por exemplo: um dos sintomas frequentes da depressão é o excesso de sono, desejo de isolamento e prostração, não querer sair da cama”, explica Elisabete. Ela aponta que é tolerável passar uma ou duas noites mal dormidas, mas que é necessário que haja um esforço para recompor essa energia gasta.

 

“Quando começamos a desregular o nosso relógio biológico, podemos desencadear uma série de problemas fisiológicos e psíquicos. Quando o organismo pede descanso, mas não se consegue dormir, seja por preocupações, medo de tentar dormir e não conseguir ou ansiedade, é hora para prestar atenção e buscar ajuda, seja médica ou psicológica”, orienta.  Encontrar as causas e reparar esse dano é o ideal para restaurar o equilíbrio físico e emocional.

 

 

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